Autor: Beatriz Bracher
Editora: Editora 34
Ano: 2004
Conservação da Capa: Bom Estado
Conservação do Miolo: Bom Estado
ISBN: 8573263040
Edição: 1ª
Acabamento: Brochura
Nº de Páginas: 148
Idioma: Português
Peso: 0,18
Nº de Faixas lado A:
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Curiosidades: Format: 12x21
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A presente obra encontra-se em bom estado de conservação, contém, apenas, algumas manchas amareladas causadas pelo tempo.
A estréia relativamente tardia de Beatriz Bracher na literatura tem a força de uma revelação. Em "Não Falei", o narrador é um professor e militante da educação que tinha 24 anos em 1964. Em 2004, à beira da aposentadoria e prestes a se mudar de cidade, ele se vê às voltas com a visita de um irmão, o convite para uma entrevista e a necessidade de organizar seus papéis na casa que já foi vendida. Nesse intervalo entre mudanças, ele inicia uma longa reflexão em que procura compreender um período crucial de sua vida: os impulsos e as contradições que cercaram a luta armada no final dos anos 60, a repressão, a tortura e o "exílio interno" que se seguiram. Trata-se para ele de compreender a passagem de um tempo em que a educação era realmente um agente mobilizador (tempo no qual os livros, os filmes e os professores pareciam mudar o mundo) para o momento atual em que, nas salas de aula, constata-se apenas um "vazio agressivo". Com uma prosa ímpar - espécie de "invenção reflexiva" que articula reminiscência, devaneio, esforço de investigação e depoimento -, Beatriz Bracher modula a consciência de seu personagem, reconstituindo as tensões e os afetos familiares, as lembranças truncadas, as dúvidas políticas e as desconexões entre a memória e os fatos. Neste ano em que se completam quatro décadas do golpe de 1964, "Não Falei" é uma narrativa arriscada, necessária e absolutamente incomum no panorama de nossa prosa contemporânea.