O Mau Vidraceiro

O Mau Vidraceiro

AutorNuno Ramos

Editora:  Globo

Ano:  2010

Conservação da Capa:  Ótimo Estado

Conservação do MioloÓtimo Estado

ISBN:  9788525048769

Edição: 

Acabamento:  Brochura

Nº de Páginas:  265

Formato:  13 x 19

Idioma:  Português

20% off

De: R$ 28,00

por R$ 22,40

Nota do Messias

Não constam, no exemplar, marcações à caneta, a lápis ou folhas rasgadas.

Sinopse

O mau vidraceiro - cujo título foi retirado de uma das narrativas de Baudelaire nos Pequenos poemas em prosa - é uma reunião de 61 contos em que o artista plástico consagrado e escritor premiado Nuno Ramos matura o domínio dos seus meios literários, levando a arte fundamentalmente moderna da micronarrativa a um grau de apuro poucas vezes alcançado.
Se nas dimensões de parte dos textos o livro pode ser comparado, em termos brasileiros contemporâneos, aos de um Dalton Trevisan, a prosa de Nuno Ramos se diferencia, primeiro, por um maior rigor textual. Diferencia-se também por uma temática mais variada, que vai da realidade mais imediata à metafísica, passando pela política. Ainda, traz um estilo multiforme, a fim de dar conta de tal variedade: assim, cenas urbano-existenciais como "A glória" convivem com belas prosas poetizadas como "Ninguém", que por sua vez convivem com a miséria escatológica de "A velha". Também nas dimensões há variação, pois os contos podem ser verdadeiramente minúsculos, com apenas um parágrafo, ou conter "extensas" três ou quatros páginas.
O que não varia é a referida precisão textual. Nuno Ramos é um autor atento às minúcias do estilo, assim como à sua fluidez. Tais elementos garantem aos seus contos características de uma peça de prosa ficcional cujo todo pode e deve ser apreendido pelo leitor em seu conjunto, como, no campo literário, um poema, ou no campo escultórico, a forma-volume de um ovo.
Tudo somado, à vasta genealogia dessa arte essencialmente moderna que é a micronarrativa (Baudelaire, Tchecov, Kafka, Cortázar, Trevisan etc.), com suas características velocidade e fragmentariedade - mas que também inclui a antiga arte das pequenas fábulas e parábolas tradicionais -, deve-se ainda acrescentar, no caso de Nuno Ramos, o nome de Gustave Flaubert, o escritor da "palavra exata" ("le mot juste"), que "esculpia" cada parágrafo como um poeta apura um verso, sem porém perder a necessária referencialidade da prosa, linguagem "realista" por excelência.